O mercado publicitário brasileiro via agências movimentou R$ 28,9 bilhões em 2025, crescimento de 10% sobre 2024 — quatro vezes acima do PIB nacional (2,3%). Pela primeira vez na história do Painel Cenp-Meios, a internet ultrapassou 40% do bolo publicitário, enquanto a Africa DDB Brasil assumiu a liderança do ranking de agências.
O que aconteceu
O Painel Cenp-Meios divulgou os dados consolidados de 2025, mapeando os investimentos publicitários de 330 agências brasileiras (258 matrizes e 72 filiais). O total de R$ 28,9 bilhões representa um avanço de 10% em relação ao ano anterior — crescimento quatro vezes superior ao do PIB, reforçando a resiliência do setor publicitário num ciclo econômico desafiador.
A internet liderou a distribuição por meio com R$ 11,7 bilhões investidos, alcançando 40,6% do total — uma virada histórica que consolida o digital como principal destino das verbas publicitárias. A TV aberta manteve o segundo lugar com R$ 9,7 bilhões (33,57% de participação). Geograficamente, as veiculações nacionais responderam por 68% do total, seguidas pelo Sudeste (19,4%), Nordeste (4,5%), Sul (4%), Centro-Oeste (2,9%) e Norte (1,1%).

No ranking de agências por volume de compra de mídia, a Africa DDB Brasil assumiu a liderança, seguida por AlmapBBDO, Galeria, BETC Havas e Publicis Brasil. Completam o top 10: Mediabrands, Artplan, WMcCann, Talent Marcel e GUT.
Por que isso importa
O cruzamento da marca de 40% para o digital não é apenas um número — é a consolidação de uma virada estrutural no mercado brasileiro. Pela primeira vez na série histórica do Cenp-Meios, o digital responde por mais do que TV aberta e TV paga somadas. Para os profissionais de marketing, isso reforça o imperativo de redistribuição estratégica de budget rumo a canais digitais, especialmente vídeo online, redes sociais e retail media. A liderança da Africa DDB Brasil no ranking de agências sinaliza ainda que casas criativas com forte integração entre criação e mídia ganham musculatura na disputa de grandes contas. E o crescimento de 10% acima de qualquer indicador macroeconômico demonstra o apetite das marcas por visibilidade num ano que antecede eleições e Copa do Mundo 2026.



